domingo, 13 de fevereiro de 2005

O Amor

Artur da Távola

Por mais que o poder e o dinheiro tenham conquistado uma ótima posição no ranking das virtudes, o amor ainda lidera com folga. Tudo o que todos querem é amar. Encontrar alguém que faça bater forte o coração e justifique loucuras. Que nos faça entrar em transe, cair de quatro, babar na gravata. Que nos faça revirar os olhos, rir à toa, cantarolar dentro de um ônibus lotado.

Depois que acaba esta paixão retumbante, sobra o que? O amor. Mas não o amor mistificado, que muitos julgam ter o poder de fazer levitar. O que sobra é o amor que todos conhecemos o sentimento que temos por mãe, pai, irmão e filho. É tudo o mesmo amor, só que entre amantes existe sexo. Não existem vários tipos de amor, assim como não existem três tipos de saudades, quatro de ódio, seis espécies de inveja.

O amor é único, como qualquer sentimento, seja ele destinado a familiares, ao cônjuge ou a Deus. A diferença é que, como entre marido e mulher não há laços de sangue, a sedução tem que ser ininterrupta.

Por não haver nenhuma garantia de durabilidade, qualquer alteração no tom de voz nos fragiliza, e de cobrança em cobrança acabamos por sepultar uma relação que poderia ser eterna.

Casaram. Te amo prá lá, te amo prá cá. Lindo, mas insustentável. O sucesso de um casamento exige mais do que declarações românticas. Entre duas pessoas que resolvem dividir o mesmo teto, tem que haver muito mais do que amor, e às vezes nem necessita de um amor tão intenso. É preciso que haja, antes de mais nada, respeito. Agressões zero. Disposição para ouvir argumentos alheios. Alguma paciência. Amor, só, não basta. Não pode haver competição. Nem comparações. Tem que ter jogo de cintura para acatar regras que não foram previamente combinadas. Tem que haver bom humor para enfrentar imprevistos, acessos de carência, infantilidades. Tem que saber levar.

Amar, só, é pouco. Tem que haver inteligência. Um cérebro programado para enfrentar tensões pré-menstruais, rejeições, demissões inesperadas, contas prá pagar. Tem que ter disciplina para educar filhos, dar exemplo, não gritar. Tem que ter um bom psiquiatra.

Não adianta, apenas, amar. Entre casais que se unem visando a longevidade do matrimônio tem que haver um pouco de silêncio, amigos de infância, vida própria, um tempo prá cada um. Tem que haver confiança. Uma certa camaradagem, às vezes fingir que não viu, fazer de conta que não escutou. É preciso entender que união não significa, necessariamente, fusão. E que amar, "solamente", não basta. Entre homens e mulheres que acham que o amor é só poesia, tem que haver discernimento, pé no chão, racionalidade. Tem que saber que o amor pode ser bom, pode durar para sempre, mas que sozinho não dá conta do recado.

O amor é grande mas não é dois. É preciso convocar uma turma de sentimentos para amparar esse amor que carrega o ônus da onipotência. O amor até pode nos bastar, mas ele próprio não se basta.

Um bom Amor aos que já têm! Um bom encontro aos que procuram! E felicidades a todos nós!

------------------------------------------------

Feliz Valentine's Day pra todos!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2005

Coisas de futebol

Outra de futebol, história engraçadinha... (dependendo do ponto de vista...)

Logo que comecei a trabalhar, minha nacionalidade correu a empresa, então antes de me conhecer o povo todo já sabia que eu era brasileira (é duro ser famosa assim...). Um belo dia, tive que ir falar com o team leader de uma outra seção. Mal cheguei até a mesa dele, ele disparou:

- Ah, é você a brasileira?

Eu, muito polite:
- Sim, sou eu mesma.
- Então gosta de futebol (Não, ele não perguntou, ele afirmou.)
- Não necessariamente.

Aí o invivíduo solta a pérola:
- Os jogadores brasileiros todos querem vir jogar na Europa, futebol no Brasil é tudo mal-organizado, eles não sabem nem fazer campeonatos direito, falta tudo, os clubes são todos falidos.

Eu em momento zen, pergunto:
- Você já viu compeonato brasileiro?
- Não, mas dá sempre nos noticiários que é muito ruim,
- Então você nunca viu, nunca acompanhou, não sabe nem que time é de onde, quais campeonatos são mais importantes?
- Não precisa nem ver porque os times tão sempre faltando aos jogos, nem tem juiz pra apitar os jogos.

Eu que sou zen, mas não sou de engolir sapo e tenho a boca mais rápida que o cérebro, respondo:

- Puxa, não sabia que era tão ruim assim, e olha que eu morei no Brasil minha vida inteira. É novidade tudo isso pra mim. Mas é engraçado que mesmo sendo TÃO ruim, os times europeus só querem jogadores brasileiros, e o Brasil, mesmo tendo os campeonatos MAIS terríveis do mundo ainda seja capaz de ganhar 5 copas. Imagina se tudo fosse tão organizado quanto aqui? Talvez a gente só tivesse ganhado uma vez...

Me economize esses caras que querem se meter a besta de falar mal de futebol brasileiro. É o que eu sempre digo, pra alguém poder criticar coisas que sejam de qualquer outro país, é preciso primeiro ter vivido por lá, pra não ficar falando asneira.

Eu me dou o direito de meter o pau no Brasil sim, quando eu quiser, porque eu sei o que é viver lá, eu já fui assaltada, já andei de ônibus de metrô, já trabalhei e dei sangue suor e lágrima pelo meu país, e sim, isso me dá o direito de ser muito crítica. Agora não me venha alguém que só viajou de Birmingham a Coventry querer me dizer que alguma coisa no meu país é errada. Cala a boca e olha pro próprio rabo!

Depois dessa, acho que a história se espalhou pelo escritório, nunca mais nenhum deles sequer me pergunta sobre futebol... Não sei porque...

domingo, 6 de fevereiro de 2005

Hotmail, não tão hot assim...

Hotmail me tirou do sério hoje. Já venho descontente com o serviço deles a um bom tempo, mas hoje ultrapassou todos os limites.

Tenho 3 contas no hotmail. Um que eu uso sempre, um que eu usava (nome de solteira) e outro pra junk mail. A conta que eu uso sempre, que inclusive uso no messenger, estava no mínimo capenga. Aqui em casa eu uso o outlook express, que é uma maravilha para aqueles que como eu tem mais de uma conta com de e-mail com eles. Tentando usar essa "maravilha" da tecnologia moderna, recebi um erro e uma mensagem que minha conta tinha que ser verificada e que pra fazer isso eu tinha que ir ao website. Tá. Fui. Digitei nome, senha. Me aparece um daqueles quadros de verificação (pra quem tem o comentário do blog do uol, daquele tipo) uns 8 caracteres que não dava pra ler de tanto risco (de proteção) que o tal do verificador tinha! Não consegui ler umas 3 vezes, quase chutei o computador, que convenhamos, não tem nada a ver com o estúpido site do msn. Depois de tudo isso consegui entrar no inbox. Tudo bem, fechei e ingenuamente achei que os problemas terminavam por ai.

Tentei conectar novamente pelo express. Mesma ladainha, tem que verificar, blá, blá, blá. Fui eu de novo, com o sangue já fervendo, fazer tudo de novo. Quem disse que eu conseguia entender a verificação? Fiquei put@ da vida. Mandei um e-mail muito do mal educado reclamando do serviço deles e eles disseram que respondem em 24 horas. Não, agora são 23 horas e 38 minutos. Quero ver se a resposta vem mesmo.

Update: hotmail respondeu, eles tem que "investigar" mais pra saber o que aconteceu com a minha conta.

Maria Ines, eu tenho 250mb nas minhas contas desde que eles começaram a anunciar que iam aumentar o tamanho. Eles primeiro deram o limite para as contas mais antigas, mas agora todas as 3 tem o mesmo limite, mas obrigada mesmo assim, vai a dica pra quem ainda não conseguiu aumentar a conta.

Miriam guapa, now I will only use gmail, hotmail will be only for messenger!

Alessandra, eu vou fazer o mesmo, é que eu detesto ter que ficar mudando de e-mail e ter que avisar todo mundo pra não usar mais tal e tal e usar o outro... mas dessa vez não vou ter saida.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2005

1-9-6-6

No escritório antigo (nos mudamos ano passado) a porta que dava acesso para entrar tinha um código que precisava ser entrado para te dar a luzinha verde. O número era 1966. Sempre fiquei encafifada com isso, porque era um ano, e devia ser um ano que tivesse algum significado, que todos lembrassem. Por curiosidade, um dia perguntei a um colega se ele sabia o que tinha acontecido naquele ano. Ele me olhou com uma cara de indignação, daquelas "como você pode não saber????", e me respondeu, orgulhosamente que aquele era o ano em que a Inglaterra tinha vencido sua primeira (e única) copa do mundo de futebol.

Eu com minha cara de madeira peroba, comentei:

-Nossa, nunca soube. Mas deve ser um orgulho pra vocês. Lá no Brasil a gente já ganhou tantas vezes que ia precisar de cinco portas pra fazer todo mundo lembrar de todos os anos que a gente foi campeão...

Agora deixo pra imaginação de vocês a cara do "culega" depois do meu comentário...