Mostrando postagens com marcador religião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador religião. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de setembro de 2010

O Papa na vizinhança

Até ontem, a visita do Papa a Birmingham não me dizia respeito.

Ontem quando saí de casa, vi no caminho que estavam cercando as calçadas... Até brinquei com o Vince, que eles só colocariam esse tipo de proteção se o Papa estivesse vindo para esses lados da cidade. Mas a missa ia ser do outro lado de Birmingham, então porque ele viria pra cá?

E assim o dia passou. Quando voltamos pra casa, ainda intrigada, Vince aparece com o jornal da região, e não é que o Papa vai passar por aqui!

Moramos pertinho do St. Mary's College, que eu agora descobri que é um seminário. O Papa vem de Edgbaston até aqui pra almoçar com os bispos do Reino Unido, tirar um cochilo, conversar com os bispos e então ir para o aeroporto onde o Papa-Jet lhe espera.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Eid Mubarak

Na sexta passada, amigos muçulmanos comemoraram Eid. Eid é a data celebrada para marcar o fim do Ramadan, o mês em que eles jejuam enquanto houver luz do sol.

É extremamente interessante viver em uma sociedade tão diversa como a da Inglaterra, especialmente no que diz respeito à religião. Aqui, os muçulmanos são uma grande comunidade então ficamos muito mais ligados as tradições de outras culturas.

Por exemplo, no meu time temos mais de 5 muçulmanos então todos nós não trazemos comidas, docinhos, etc durante o mês do Ramadan. Sempre sabemos quando Ramadan começa e quando é Eid. Eles todos tiram os dias de folga.

É algo penoso de observar, imagine ter que trabalhar o dia inteiro sem poder comer nem beber nada. Mas aí é que está o sentido desse jejum. Ele ensina os muçulmanos a praticar a auto-disciplina, auto-controle, sacrifício, e empatia por aqueles menos privilegiados.

Eu acho bonito e a minha é uma visão meio que romantizada do auto-sacrifício, do poder da força de vontade, de fazer algo com um objetivo tão mais nobre do que "aguentar" as horas de jejum.

De qualquer maneira, quando o Ramadan acaba, é a festa familiar que faz toda a diferença. É esse círculo bonito de comunhão que eu vejo todo ano.

Isso certamente não tem nada a ver com os terroristas que se dizem "muçulmanos". Eles certamente não tem a menor idéia do que a sua religião prega. Eles tem sua própria agenda. Por isso queridos, não coloquem todos no mesmo saco. Senão seria como dizer que todos católicos são responsáveis pelas atrocidades que alguns padres estão cometendo por aí, ou que católicos são como o atual Papa - arrogante, dissimulado e sem caráter. Pronto, falei.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

49 dias

Dizem que os japoneses radicados no Brasil nascem católicos e morrem budistas. Tem um bom fundo de verdade. Meu pai, nascido no Japão, foi a pessoa mais aberta a todas as religiões. Ele ia à missas, casamentos, batizados e outras maluquices católicas, mas também sempre tivemos um hotokesan (ou altar budista) em casa.

Pra mim, essa concepção do nascer católico e morrer budista deve ser porque a maioria dos descendentes é católico, isto é, foi batizado, fez primeira comunhão, casou na igreja. Em vida sim, o catolicismo é o que está mais presente. Agora quando o assunto é uma pessoa querida que faleceu, pelo menos na família dos meus pais, somos budistas. O Budismo tem uma visão quase que poética da morte, ela é vista como a volta à vida espiritual. É quando o espírito se purifica e se renova até poder retornar ao mundo físico - isso não é reencarnação, mas sim um renascimento. É difícil de explicar. Tem todo aquele lance de karma, de aprendizado, de iluminação. Nós seguimos o Budismo Shin ou Jōdo Shinshū (explicação no wikipedia em inglês), que é o Budismo mais praticado no Japão. Esta é a razão mais intelectual que eu posso oferecer ao nosso dualismo. Morrer budista é muito mais reconfortante que morrer católico, e muito mais significativo.

No domingo passado tivemos o hoji de 49 dias de morte do meu pai. No Budismo Shin se celebra o sétimo, trigésimo e quando se completa 49 dias de morte. Na miscelânia de religião da minha família fazemos missa de sétimo dia e hoji de 49 dias. Eu li que esses 49 dias tem um significado, no budismo em geral é o período entre o nascimento e a morte, mas no Budismo Shin os mortos vão direto à Terra Pura. O cerimonial de 49 dias é mais para aliviar a ansiedade, poder ter parentes e amigos reunidos para homenagear o ente querido.

O hoji do meu pai foi muito bonito, não pelo serviço em si, mas pelo amor demonstrado por todos que vieram ao templo. Foi exaustivo - estava um calor impossível - mas no fim tudo correu muito bem e pudemos retribuir a todo koden que recebemos.

Deixo aqui, por escrito, os meus sinceros agradecimentos a todos que compareceram.