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domingo, 12 de agosto de 2012

Feliz dia dos pais!


A morte não é nada.
Eu somente passei
para o outro lado do Caminho.

Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês,
eu continuarei sendo.

Me dêem o nome
que vocês sempre me deram,
falem comigo
como vocês sempre fizeram.

Vocês continuam vivendo
no mundo das criaturas,
eu estou vivendo
no mundo do Criador.

Não utilizem um tom solene
ou triste, continuem a rir
daquilo que nos fazia rir juntos.

Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.

Que meu nome seja pronunciado
como sempre foi,
sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra
ou tristeza.

A vida significa tudo
o que ela sempre significou,
o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora
de seus pensamentos,
agora que estou apenas fora
de suas vistas?

Eu não estou longe,
apenas estou
do outro lado do Caminho...

Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela
como sempre foi.

-Santo Agostinho

Pai, que saudade.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A hora da partida

Depois de mais de um mês com minha mãe e minha sobrinha aqui conosco, hoje elas voltaram para o Brasil. Essa despedida foi a única que eu nunca tinha tido antes. Me despedir e ficar. Olhar as pessoas queridas desaparecem atrás do portão de embarque.

Não gostei. A casa está imensamente vazia e insanamente quieta. Chorei já com saudade. Coisa boba eu sei, vou vê-las muito em breve! Mas mesmo assim, as lágrimas teimosas ainda rolam.

Eu vou sentir falta das minhas meninas aqui. Das conversas bobas a toda hora, de assistir novela, de passear. Nesse pouco tempo eu tive a oportunidade única de mostrar para elas meu mundinho, minha vidinha, meu cotidiano. Que prazer enorme poder compartilhar tudo isso! Queria que elas pudessem ficar mais, vir mais vezes. Quem sabe?

Enquanto elas não voltam e eu não vou pro Brasil, o meu coração vai ficar assim, apertadinho de saudade.

Façam boa viagem queridas, e voltem sempre!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Por amor à Loucura


Mirror, mirror, originally uploaded by KatiaUK.

Amar são Paulo não é uma tarefa fácil. É como ter um namorado que te dá tudo que você precisa, mas que você queria amar menos pra poder terminar.

O trânsito, a violência, o caos generalizado parecem que ficam em segundo plano quando se mora nessa cidade. A gente se acostuma, ou fecha os olhos e finge que não vê.

Mas, muito mais que todo esse horror e feiúra urbana, o coração bate descompassado cada vez que volto pra casa. Estou falando muito além da saudade da família e amigos. Estou falando da saudade do concreto, dessa beleza que não existe em nenhum outro lugar. Quando eu volto à São Paulo, estou voltando pra casa.

Claro, a brutalidade da realidade logo se faz presente: 1h pra ir da Liberdade até o Ibirapuera. Se chover, fudeu. Assalto no farol, assalto no trânsito. Crianças vendendo bala. Criança cheirando cola. Criança com faca na mão te assaltando.

Tenho plena consciência que amo aquilo que jamais deveria ser amado. Mas, assim como pessoas, a cidade não tem só defeito. Tem qualidade. Tem gente de qualidade. Essa cidade tem alma e nem toda a feiúra externa pode matar o que tem de mais belo.

Em São Paulo eu amei, fui amada. Desejei ardentemente o beijo de um menino... beijo que nunca veio. Descobri que a vida é cheia de felicidade, mas também cheia de decepções. Fiz amigos que levo comigo no coração. Entendi que ser 'amiga' de muitos não me interessa, ser amiga de quem eu verdadeiramente amo é o que me interessa. Nessa cidade eu ouvi segredos, eu fiquei calada. Eu quis dar um tapa, eu tive que dar a cara à tapa.

Foi nesse trubilhão que eu virei gente. Foi essa loucura que me fez.

Eu olho pra trás e sinto um orgulho tão grande de poder ser parte - ainda que quase insignificante - da história dessa cidade deslumbrantemente assustadora.

Te amo. Sempre.

domingo, 8 de agosto de 2010

Feliz dia dos pais


De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda esta forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

Agora está tão longe
Ver a linha do horizonte me distrai
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção

Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim...

Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você esta comigo
O tempo todo

E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua
E se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim

Quero ser feliz ao menos,
Lembra que o plano
Era ficarmos bem...

Olha só o que eu achei
Cavalos-marinhos...

Sei que faço isso
Pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando
Tudo embora...

sábado, 13 de junho de 2009

Festa Junina

Ah que saudade de estar no Brasil em Junho! Gosto muito de festa junina e do inverno brasileiro. 15 graus e todo mundo de gorro, cachecol, bota de cano alto, indo pra Campos, tomando vinho e comendo fondue!

Além disso, tem sempre festa de São João em casa. Faz muito tempo que não estou lá em junho, mas na minha época, minha mãe fazia todas as guloseimas necessárias: canjica, doce de abóbora, arroz doce, quentão, vinho quente... E fogueira no sítio. E assar batata doce nas cinzas da fogueira pra comer no dia seguinte.

Mas além de tudo, é da alegria que sinto mais falta. Do sentimento que tudo está completo, mesmo que só por um momento. Uma sensação de plenitude com a vida, de que tudo está onde deveria estar.

Quero isso de novo, mas quanto mais eu penso, mais distante esse futuro me parece.

sexta-feira, 2 de março de 2007

O ar do Inverno

No caminho pro trabalho hoje, eu respirei fundo o ar gelado e perfumado de inverno e pensei: "Amo esse ar! Que dia lindo!"

No escritório, tomando café e lendo as manchetes dos jornais do Brasil, um assalto à banco em Moema chama minha atenção. Há dez minutos atrás, feliz com minha vida, esqueci como pode ser miserável a vida em São Paulo. Com tristeza li o episódio, assalto a um banco pertinho de onde eu morava, na avenida por onde eu passava todos os dias. Fico triste e agoniada porque sei o quanto o povo trabalha naquela terra, sei como é dura a vida num país onde bom-caráter parece coisa rara e onde os marginais se multiplicam como germes e atacam pessoas do bem.

Fico triste de pensar que meu sonho de um dia morar num Brasil eficiente e com muito pouca violência fica cada vez mais distante, pensar que queria um dia voltar pro Brasil e ter um bebê, criá-lo como eu fui criada, mas em um país melhor, onde as pessoas são mais amigáveis, mais felizes.

Infelizmente acho que não vai ser possível, não nessa vida. Não nessa onde de terror e violência em que se vive por lá constantemente.

Triste, muito triste.